Concerto 5 de Junho de 2021


The Beatitudes

[SATB & organ], 1990-1991

Arvo Pärt


Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados os tristes, porque eles serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Bem-aventurados os que hão fome e sede [da] justiça, porque serão fartos.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados sois vosoutros, quando vos injuriarem, e perseguirem, e contra vós todo o mal falarem, por minha causa, mentindo.

Gozai[-vos] e alegrai[-vos], que grande [é] o vosso galardão em os céus, porque assim perseguiram aos Profetas que antes de vosoutros [houve].


Mt 5: 3-12. Tradução de João Ferreira Annes d'Almeida, fixação de José Tolentino Mendonça




Hinário para um tempo de confiança

[SATB div., sax & organ], 2021

Alfredo Teixeira


1. Habitar o mundo

Deus criador, Arquiteto

do mundo diverso

na ordem e na justiça

assenta o Universo


nós somos as pedras do templo

peregrinos a caminho

da Presença diferida

e do Sopro que nos guarda


às portas do silêncio

vigiamos o invisível

o incenso que trazemos

sobe do nosso chão


Este é o lugar de refazer

os nós, as alianças

ergamos juntos o louvor

que nos obriga e larga


o templo manifesta

a presença amante

Deus é a nossa festa

o perto e o distante


          in O Nome e a Forma: Poesia reunida. Lisboa: Pedra Angular, 2009, 280s




2. Deus infigurável


Ó Deus, sítio da alegria,

Terreiro da nossa espera,

De ti nasce o amor que cria

E o dom do estremecimento;

Vem buscar ao nosso poço

O que nele é canto de água


Ó Deus, Deus infigurável,

Pão verde da nossa fome,

De ti desceram as fontes,

E as neves que nos acordam;

Vem colher em nosso chão

A semente do teu sonho


Ó Deus, quanta morte a monte,

Quanto a morte lavra a terra

E mais vai crescendo o abismo

Que da vida nos deporta;

Vem livrar a violência

Que nos cerca e desfigura


Ó Deus, longe ainda os tempos

Ditados por teus profetas

A terra que os olhos querem

O medo a desterra ainda;

Vem escrever em nossos olhos

As fogueiras da promessa


         in Cantai com arte e com alma. Lisboa: Edições Paulistas e Logomedia, 1992.





3. o rosto e a casa


seja o teu rosto

o brasão da casa

a alegria, o mosto

na aflição a asa


sejam os traços

do teu nome em fuga

o rebento, o laço

como o sol a uva


dá à nossa vida

a graça de ser

no corpo em partida

tenda de acolher


e que ouçamos vir

o teu dia, o som

de paisagens verdes,

promessa do dom


     in, O Nome e a Forma: Poesia reunida. Lisboa: Pedra Angular, 2009





4. As sombras não assombram


Ó meu Senhor, farol que me iluminas,

em Ti Senhor minha alma se confia.

Meu protetor, escudo contra o mal,

ó minha luz.


Ao inimigo eu hei de fazer frente,

Hei de voltar a Ti o rosto em festa.

Hei de oferecer os dons que houver de Ti,

escondida a paz.


Eu hei de ver os teus mistérios santos,

na tua casa as sombras não assombram.

Alta esperança nos confins de mim,

me há de abrigar.


      Texto em uso no Convento de S. Domingos, Lisboa





5. Vésperas de água


à beira destas águas me persigo:

é o vento a asa que não digo?


nestes plainos as vozes que se falam

em teu tear se tecem e me embalam


não vê o teu olhar mais fundo estas ruínas?

desconcerto do mundo


histórias que medito quando chove

e não sou eu quem grita, mas é Job


guardo um retrato pendurado

à cabeceira esquerda do meu lado


é Deus que acende as margens deste medo

e dá raiz e vento ao meu degredo


escolhe-se a rima como dá o vento

sem velas não navega o pensamento


pertence à morte o que não tem memória

meu corpo sobe a nado a sua (van)glória


      in, O Nome e a Forma: Poesia reunida. Lisboa: Pedra Angular, 2009





6. Deus de madrugada


Dai-vos as mãos vós que viveis

de ouvirdes sons futuros

que nem a morte nem o medo

vos fechem entre muros


Também às grades se resiste

e à vida macerada

mais morte ainda é não haver

um Deus de madrugada.


É Deus que vai à nossa frente

fazendo o que anuncia

e é na memória de Jesus

que tudo principia


É no Espírito de amor

que o luto se faz esperança

e é no fazer do mundo a vir

que a liberdade avança.

            Texto em uso no Convento de S. Domingos, Lisboa

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